domingo, 15 de setembro de 2013

Povoamento Indígena


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FOTOS: Arquivo Márcio Gomes

A ocupação das terras do Norte do Piauí não foi ato pacífico. O devassamento foi precedido de violenta campanha contra os índios, para obrigá-los à submissão, à convivência pacífica com seus dominadores. Quando essa pacificação era obtida, praticava-se o abuso da escravidão, da exploração sexual das cunhãs e da usurpação das terras.
A resistência dos índios é fato histórico. Se antes apresentaram-se dóceis e hospitaleiros, reagiram aos primeiros desrespeitos aos seus valores tribais.
A guerra contra o gentio (índio) teve desdobramento permanente até a completa limpeza da região; desapareceram da Piracuruca os grupos Tocarijus e Alongas, referidos, com nomes diferentes mas, provavelmente, integrantes de uma só tribo.
Eram índios de corso, into é, de hábitos errantes; na época do verão localizavam-se nos sopés da Serra da Ibiapaba e durante os invernos ou no começo das chuvas, desciam para as margens do Rio Bitorocara (ou Bitorocaia) que é, atualmente, o rio Piracuruca e, também para as ribanceiras do Rio Longá; colhiam cajus e dedicavam-se as atividades de pesca, eram arredios com os homens brancos de quem fugiam com medo de tiros e das pegas de aprisionamentos.
Nos relatos históricos, são abundantes as citações de tribos que povoavam a região da Ibiapaba e as terras interiores do Piauí. As nações Tabajaras e Potiguaras encabeçaram a lista. Depois, apareceram Anacés, Acajus, Tarariús, Carathius e Canindés. Nas terras baixas entre a Ibiapaba e o Rio Parnaiba aparece os Potis, Aranhis, Aroás e Cupinharões. Para o norte figuram os Tocarijus e Alongas, no litoral aparecem os índios Tremenbés. Nas margens do rio Parnaiba do lado maranhense registra-se os Anapurus, mas conhecidos como índios Barbados. Para o Sul do Piauí, registrara-se os Guerês, Gurguéias e Pimenteiras.
Todas as tribos foram gradualmente desaparecendo. Insistiram os colonos e sesmeiros na expulsão e extermínio do gentio com o objetivo de utilizarem de suas terras para a criação solta dos rebanhos, não apenas isso. Apesar da proibição real e da constante vigilância exercida pelos jesuítas, teimavam os "senhores da terra" em escravizar os índios empregando-se nos trabalhos dos engenho e nas farinhadas.
Com o passar dos anos, quando já se introduzia no Brasil a prática da escravidão negra, importando-se escravos da África, promoveu-se o elemento índio a feitor, a vigilante de senzalas e a rastejador de negros fugitivos, em cujas tarefas revelam-se habilíssimos.        

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